Quando uma mulher olha o nosso portfólio, ela consegue saber se gosta das fotos e vídeos.

O Instagram mostra a nossa técnica, os enquadramentos, os momentos que escolhemos guardar.

Mas ele não responde a uma pergunta que, para muitas famílias, importa ainda mais:

O que essa equipe fará com a minha intimidade depois do parto?

Vai publicar um bastidor enquanto eu ainda estiver tentando entender o que aconteceu? Vai mostrar o rosto do meu bebê antes que eu consiga avisar à minha família que ele nasceu? Para ter essas fotografias, eu também preciso aceitar que elas sejam vistas por pessoas que não conheço?

Você pode ter as fotografias do seu parto sem precisar expor a sua história.

Na fotografia de parto, o cuidado com a privacidade deveria começar antes de a câmera entrar na sala e continuar depois da entrega.

Mão apoiada sobre a barriga durante a gestação

As fotografias foram feitas por nós. A história não é nossa.

Eu sou uma pessoa reservada. A Iluminar nasceu assim também.

Às vezes, uma profissional que estava no parto e que é próxima de mim pede para ver as fotografias. Não necessariamente para publicar. Às vezes, ela só quer rever aquele nascimento.

Minha resposta é sempre: não são minhas. Se a família quiser compartilhá-las, ela mesma fará isso.

Nós fomos convidadas a entrar em um momento muito íntimo. Fotografamos porque uma mulher e uma família confiaram em nós. Esse acesso nos dá uma responsabilidade, não a propriedade sobre o que aconteceu.

O parto é da mulher.

É o corpo dela. É a história dela. É ela quem vai conviver com o que viveu e descobrir, talvez aos poucos, como se sente ao se ver naquelas fotografias.

Marina beija Matheus no primeiro encontro depois do nascimento

Eu amo poder mostrar os partos que fotografamos

Não vou fingir que publicar o nosso trabalho não é importante.

Foi vendo essas imagens que muitas mulheres conheceram a Iluminar, confiaram no nosso olhar e nos convidaram para acompanhar o nascimento de seus filhos.

Eu também sei o que as fotografias de parto fizeram pelo movimento do parto humanizado.

Muitas mulheres descobriram que era possível parir com respeito porque, antes de receberem uma explicação, viram uma imagem. Viram uma mulher sendo ouvida. Viram que ela podia se movimentar. Viram um bebê sendo recebido sem pressa. Viram que existiam outras possibilidades.

Cada família que autoriza a publicação de sua história nos ajuda a mostrar isso. Eu sou profundamente grata por essa confiança.

Mas nenhuma mulher deve a própria intimidade ao nosso portfólio. E também não deve a uma causa, por mais importante que ela seja.

A fotografia é o nosso trabalho. O nascimento continua sendo dela.

Matheus no colo da mãe durante o primeiro contato após o nascimento

Fotografar e publicar são duas decisões diferentes

Uma mulher pode querer lembrar de tudo e não querer mostrar nada.

Pode querer rever o nascimento com o companheiro ou a companheira, mostrar as fotografias ao filho daqui a muitos anos e guardar cada imagem dentro da própria família.

O valor desse registro não diminui porque ele nunca chegou ao Instagram. Guardado dentro da família, ele cumpre sua função mais importante: devolver partes de um dia que foi intenso demais para ser visto por inteiro enquanto acontecia.

Por isso, na Iluminar, a contratação da fotografia não depende de uma autorização de publicação.

E isso não é um julgamento sobre o que cada família faz com as próprias imagens. Uma mãe pode querer publicar ainda na maternidade. Pode preferir esperar. Essa decisão é dela.

O que estou discutindo aqui é outra coisa: o momento em que uma profissional ou uma empresa pede para usar aquela história em sua própria divulgação.

Não considero ético pedir essa autorização no contrato antes do parto

Uma mulher pode passar a gravidez inteira imaginando como será o nascimento.

Ainda assim, viver um parto será sempre diferente de imaginá-lo.

Ela ainda não sabe como a história vai acontecer. Não sabe como seu corpo aparecerá nas fotografias. Não sabe o que sentirá ao rever uma mudança de plano, uma cena muito íntima ou a expressão das pessoas que estavam ao redor.

Ela só poderá descobrir isso depois de viver o parto e se ver nas imagens.

E, às vezes, isso precisa de tempo.

Por esse motivo, a autorização de publicação não faz parte do contrato de parto da Iluminar.

Eu não considero ético pedir a uma mulher, durante a gravidez, que autorize o uso de imagens de uma experiência que ainda não viveu.

Também não considero ético perguntar logo depois do nascimento

Entregar uma prévia primeiro à família e só então perguntar se a equipe pode publicar parece cuidadoso. Mas, quando essa pergunta chega poucas horas depois do parto, o problema continua ali.

A família recebeu primeiro. Houve uma pergunta. Houve um “sim”.

Mesmo assim, para mim, ainda falta uma coisa importante: tempo.

Uma mulher que acabou de parir pode estar com dor, sem dormir, tentando amamentar, recebendo informações sobre a própria saúde e a do bebê ou simplesmente compreendendo que a vida mudou.

Pode ter vivido o parto que imaginou. Pode ter vivido algo completamente diferente.

Eu não considero ético aproveitar esse momento para pedir uma autorização que serve à divulgação de uma empresa.

O nosso Instagram pode esperar.

Uma fotografia pode contar a novidade antes da própria família

No dia do parto, uma imagem não mostra apenas o trabalho de quem estava naquela sala.

Ela pode mostrar o rosto do bebê. Pode revelar seu nome. Pode anunciar que ele nasceu.

Às vezes, os avós e os tios ainda não sabem. A família pode ter escolhido esperar o nascimento, o primeiro contato e a confirmação de que todos estão bem antes de telefonar para as pessoas mais próximas.

Então uma fotografia aparece nos Stories de alguém da equipe.

Uma notícia que pertencia à família passa a circular antes que ela mesma consiga contá-la.

Não cabe a nós tirar esse momento de ninguém.

O bebê também não pode participar dessa decisão. Quem escolhe por ele são os responsáveis, e isso aumenta a responsabilidade de quem teve acesso à sua imagem.

Família e equipe reunidas ao redor de Matheus logo após o nascimento

Por que esperamos pelo menos 40 dias para perguntar

Na Iluminar, a família recebe as fotografias primeiro.

Os 40 dias não são um prazo de entrega e não são um prazo para a família responder.

São o tempo mínimo que nós esperamos antes mesmo de iniciar a conversa sobre publicação.

Depois desse período, perguntamos se a família autoriza ou não o uso das imagens. Se autoriza, a curadoria fica com a Iluminar, respeitando os limites combinados. Se não autoriza, não precisa explicar o motivo.

Também não existe urgência. O nascimento não perde importância porque deixou de ser novidade no Instagram.

A publicação é uma conversa separada da contratação. O registro já cumpriu o motivo principal pelo qual foi feito: voltar para quem viveu aquele dia.

O cuidado também aparece naquilo que você nunca verá

Você consegue avaliar a qualidade de uma fotógrafa olhando o portfólio.

Mas, para escolher quem entrará no seu parto, vale observar também o que acontece fora dele.

Essa pessoa saberá ficar em silêncio? Vai compreender que não é hora de pedir uma pose? Saberá guardar uma imagem sem transformá-la imediatamente em conteúdo? Vai respeitar o tempo da sua família mesmo quando ninguém estiver vendo?

Privacidade não é uma gentileza extra. Deveria ser parte do trabalho.

Você pode ser uma pessoa reservada e ainda desejar profundamente as fotografias do nascimento do seu filho. Pode guardar essa memória sem oferecê-la ao público. Pode decidir depois. Pode decidir que não.

É por isso que você nunca verá na Iluminar fotos de um bebê que nasceu ontem.

Essas imagens importam demais para nós. E justamente por isso lembramos que, antes de mostrarem o nosso trabalho, elas contam a vida de alguém.